"Cansei"
Hebe e Ivete Sangalo engrossam a multidão do 'Cansei'
Muitos artistas e grupos como o de parentes das vítimas do avião da TAM fizeram questão de participar do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, mais conhecido como ‘Cansei’, na Praça da Sé, no centro de São Paulo. Porém, a organização do evento, ocorrido na manhã desta sexta-feira (17), não foi muito feliz, ao ignorar essas pessoas.
Hebe Camargo, Ivete Sangalo, Paulinho Vilhena, Silvia Poppovic, Wanderléa, Agnaldo Rayol, Carlos Alberto de Nóbrega, Osmar Santos e o nadador Fernando Scherer participaram do manifesto. Porém, nenhum deles foi chamado ao palanque para manifestar suas opiniões. Ficaram por lá, como meros coadjuvantes.
Contudo, a multidão de centenas de pessoas que a manifestação atraiu provou que o provo está mesmo de 'saco cheio' e exige mudanças imediatas por parte dos políticos.
Outra grande falha do importante movimento, que visa manifestar o total desagrado do povo com relação ao atual Governo do País, foi com relação à segurança. Muitos cinegrafistas e repórteres foram agredidos pelos seguranças, ao tentarem entrevistar, por exemplo, a musa do axé Ivete Sangalo, que apesar disso, ainda tentava atender a todos que a cercavam.
Os familiares das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, que completa um mês nesta sexta-feira (17), ficaram indignados com a falta de atenção dos organizadores.
Hebe se irrita com pergunta e Ivete se cala em ato
"Estou vendo pessoas de cabelos grisalhos. Somos do tempo em que não nos trancávamos em casa, que não existia tanta gente para mexer em nosso patrimônio." Assim o locutor anuncia o início do protesto do movimento Cansei nesta sexta-feira, que lembra um mês do acidente com o Airbus da TAM.
O público ocupa a Praça da Sé, no centro de São Paulo. As estimativas variam de duas a cinco mil pessoas, essa última segundo a Polícia Militar. Ali estão todos divididos em dois grandes grupos. O palco, de costas para a Catedral da Sé, dentro da qual a realização do protesto foi vetada pela Arquidiocese, separa a multidão de homens, mulheres, negros e brancos, ricos e pobres. Na escadaria da Catedral, sentados e com guarda-sóis, senhoras maquiadas, homens de terno e jovens de óculos escuros de grife.
Aos poucos, os artistas chegam. Com eles os gritos de "Fora imprensa", em direção a repórteres e cinegrafistas que impedem parte do povo de cumprir o objetivo principal de estar ali: ver as celebridades.
- E o Paulinho Vilhena, não vinha? - pergunta a jovem de câmera em punho.
- Quem é aquele ali? - questiona outro.
Hebe Camargo chega. Camiseta com a bandeira do Brasil e mais um par de óculos de grife. Gracinha de sorriso.
Hebe não contava com a pergunta ácida de um cidadão que se recusa a sair da "área vip", com argumento de que está em uma praça pública:
- E o Maluf, que você apoiou tanto tempo?
Irritada, Hebe põe o dedo em riste:
- Eu cresci às minhas próprias custas, às custas do meu trabalho.
O cidadão é o engenheiro José Carlos Caldeira Braga, de 70 anos. Usa um broche com as bandeiras do Brasil e da Venezuela. É ironizado pelos advogados, conselheiros da OAB-SP e outros elegantes senhores da "área vip":
- Vou até tirar uma foto. Vira pra cá, ô Evo! - Confundindo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com o da Bolívia, Evo Morales.
Luiz D'Urso, presidente da OAB-SP, discursa. Reitera que o movimento é apartidário. Pede solidariedade às famílias das vítimas do vôo da TAM a 5 minutos das 13h. Os familiares das vítimas, como relata Vagner Magalhães, do Terra, sentiram-se "usados" no ato.
Continuam as reclamações do público com os repórteres, que tapam a visão para as celebridades.
Um minuto de silêncio. Seguem preces e orações. Um padre, um rabino e um pastor metodista. Agnaldo Rayol canta o Hino Nacional. Sem Ivete Sangalo, como havia sido anunciado, para frustração geral.
Ivete que, em 2001, participou de abaixo-assinado em apoio ao senador Antonio Carlos Magalhães, quando este violou o painel de votação do Senado (leia aqui trecho do documento). A cantora costumava também fazer reverências a líderes carlistas na passarela do Campo Grande durante o Carnaval de Salvador.
Um tímido "Fora Lula" é puxado por alguns. É abafado por um "Viva o Brasil". Algumas fotos no palco e as celebridades começam a sair. Os manifestantes da praça da Sé deixam o chão para subir em escadas, pilares e muretas.
Hebe vai deixando o ato. É questionada se a sociedade, os pobres, estão participando do movimento.
- Tá todo mundo aí. - responde, ainda com um resquício de mau humor diante das perguntas.
Sai Ivete Sangalo. Impossível chegar até ela. Muitos querem tirar fotos. Um cidadão quer entregar uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Não consegue.
No corredor de isolamento que ligava o palco à sede da OAB, a uma distância de cerca de 400 metros, os artistas se despedem. Um conselheiro da Ordem conversa com outro:
- Foi bom, né?
- Só foi ruim por causa da Ivete. Podia ter cantado uma, né?
Hebe Camargo entra em seu Mercedes e se despede do povo. Deixa chorando uma humilde senhora, que se cansou de esperar para cumprimentá-la.


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