sábado, 6 de outubro de 2007

Entrevista

Fotos: Daryan Dornelles/Quem
O axé é um ritmo essencialmente popular. Nos últimos anos, porém, os shows de artistas desse gênero vêm ficando cada vez mais caros e restritos a uma parcela social. Por quê?

Bruno da Silveira Pinheiro, Rio de Janeiro

Ivete Sangalo – Em absoluto! Os shows têm levado grandes públicos, o que explica esses valores. Eu, por exemplo, sou uma artista popular e procuro fazer sempre ações populares. O país é grande demais e nos dá a possibilidade de criar diferentes eventos. Acabei de fazer shows em Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Boa parte foi a preços bem populares. A conta é fácil: quanto mais popular o preço, mais gente verá o show. E é esse o objetivo. Mas fazemos shows para todo tipo de público em diferentes perfis de festa. O que você aponta não é o que vejo no dia-a-dia profissional.

A carreira internacional é sua prioridade neste momento?
Kekel Gomes
, Paraíba

Ivete – A carreira internacional vai muito bem. Estamos dando passos do tamanho das nossas pernas. Ela começou no momento em que me dispus a estar na Europa por dois meses, sem intervalos, para lançar meus discos. Estamos com planos de seguir agora para os Estados Unidos, com o lançamento do último álbum, Multishow Ao Vivo – Ivete no Maracanã. A carreira se consolida à medida que o público prestigia e comenta. Isso tem acontecido numa escala muito generosa para mim, daí a minha impressão de estar sendo bem-sucedida.

É verdade que você vai dividir o palco com estrelas internacionais como Shakira e Jay-Z?
Giselle Cristina dos Santos Cintra
, Distrito Federal

Ivete – Ia acontecer um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, agora em novembro, mas ele foi adiado para março. Vai ser massa. Será uma delícia dividir a noite com astros da música internacional. E também promissor para a minha carreira.

Você sofreu preconceito no início da carreira por ser nordestina ou por ser cantora de axé music?
Ângela Christina Rios
, Ceará

Ivete – O que possa ter tido de preconceito tratei de quebrar logo. Sou fã da minha Bahia, do axé e acho maravilhoso ser desse segmento. No momento em que as pessoas – o público, os críticos e a família – sabem que você está “por inteiro” no que faz, pouco importa o discurso desfavorável.


O que você acha do momento atual da música popular brasileira?
Rutilo Lucena da Rocha
, São Paulo

Ivete – Cada momento por que a música passa traz bons resultados e boas formas. Hoje, tocam 90% de música brasileira nas rádios do país. Isso não acontecia há 12 ou 15 anos. A música estrangeira dominava as rádios na década de 80 e no início da de 90. Começou a mudar quando os brasileiros mostraram estima com os seus. Além disso, os artistas conseguiram imprimir um ritmo muito bom de execuções e o público aplaudiu. Estou nessa também, fazendo parte do todo.

Muitas pessoas não têm condição de comprar seus CDs e DVDs. Você acha que a baixa renda é uma causa da pirataria? Diminuir o preço dos CDs e DVDs no Brasil não seria uma solução?
Julianna de Souza
, São Paulo

Ivete – A falta de cumprimento das leis de maneira severa gerou tudo isso – inclusive a baixa renda do povo brasileiro. Baixar preços seria uma alternativa para o público que gosta e quer ter o DVD e o CD. Não sei, honestamente, por que isso não acontece. Gostaria de que alguém me respondesse de maneira lógica e clara.

Você, como ídolo dos jovens, não se constrange em fazer propaganda de cerveja?
Davi Brelaz
, Pará

Ivete – Não, em absoluto. O acordo que tenho com a marca de cerveja me dá um suporte profissional e cultural. Temos uma parceria que vai além do show e inclui da manutenção de instituições de caridade à contratação e ao suporte a novos artistas. Daí eu ter aceitado fazer. Trabalho muito, tenho princípios e eles sabem disso.

O que acha da atuação do baiano Gilberto Gil como ministro da Cultura? Qual é sua análise da esquerda no poder?
Luiza Ortiz
, São Paulo

Ivete – Como ministro, prefiro não opinar, já que me sinto despreparada. Sobre o artista posso falar muito, já que sou fã e conhecedora de seu trabalho. Gil é genial, sensível e muito performático. É culto e passou toda a vida traduzindo em forma de música o amor e o protesto. Atitude e personalidade acima de tudo! Quero ser um Gil de saias, mas não sei se isso seria possível.

Antônio Carlos Magalhães tinha uma relação muito próxima com artistas baianos. Porém, nenhum, à exceção do cantor Durval Lelys, do Asa de Águia, compareceu ao enterro dele. Por quê?
Carlos Leal
, Bahia

Ivete – A minha relação com ACM era de carinho e respeito. Um homem que permaneceu tantos anos na vida política de um Estado como a Bahia tem uma forte importância. O povo gostava dele, se identificava muito e sentia a adoração dele pela Bahia. No dia de sua morte estava viajando, cumprindo uma vasta agenda de compromissos. Se estivesse lá, estaria, sim, em seu velório.

Existe algum tipo de rivalidade entre a Claudia Leitte e você? Não é comum vê-las juntas em eventos e, pelo menos nas comunidades do Orkut, existe essa competição entre os fãs.
Aline de Lemos Ressol
, Rio de Janeiro

Ivete – De forma nenhuma. Isso é besteirinha, coisinha que a gente nem comenta. A música não merece rivalidades. Nada de bom e proveitoso se tira disso. Vamos viver em harmonia, fazer o melhor para somar à música e não perder tempo.

Você se incomodou com as fofocas sobre sua amizade com a Xuxa?
Nina Monroe
, Rio de Janeiro

Ivete – Nãooooooooooooooo. Amo Xuxa, minha amiga fofa. Ela é um exemplo de força. Gosto dela e rimos muito de tudo isso.

Fonte Revista Época

Nenhum comentário: